Atypical: Série aborda autismo e é um dos maiores acertos da Netflix

Em Atypical, acompanhamos a jornada de Sam, um adolescente com autismo, em busca de uma vida mais normal. A série está disponível desde a última sexta-feira, 11.

Após a polêmica gerada em torno de 13 Reasons Why e debates sobre a necessidade de a série existir e os malefícios que ela poderia gerar ao invés dos benefícios, algo importante que pudemos aprender com ela, ao menos, é que nós não sabemos sobre as lutas internas que cada um enfrenta e, por conta disso, o mínimo que deveríamos ter é cuidado e gentileza com o próximo, mesmo nos nossos piores momentos.

Em sua nova produção, a Netflix reforça essa lição nos apresentando o mundo de Sam (Keir Gilchrist), um garoto autista no auge de sua adolescência que decide ter um relacionamento pela primeira vez. O garoto é o “esquisito” do colégio e passa por poucas e boas por viver no seu mundo enquanto o restante dos adolescentes sequer tenta entender como funciona seu modo de vida.

Entre sutilezas e golpes de realidade, somos apresentados não somente à vida do garoto com o autismo, mas também à família e a carga que algo assim gera sobre todos à volta de quem tem essa condição. Elsa (Jennifer Jason Leigh) é uma mãe superprotetora que não vê sentido na vida quando seu filho, a quem dedicou todo o seu tempo, decide que está na hora de namorar e “sair da barra de sua saia”, e acaba encontrando em um caso extraconjugal um refúgio de sua rotina e suas obrigações. Doug (Michael Rapaport), de início, é um pai simples como outro qualquer que aparenta não se envolver muito nos problemas dos filhos, mas seu desenvolvimento no decorrer dos episódios e a relação dele com Sam é um dos pilares da série e é, provavelmente, através dele que temos o maior choque de realidade sobre como nem tudo são flores quando pessoas “normais” tentam lidar com algo inesperado como ter seu filho diagnosticado com autismo.

Casey (Brigette Lundy-Paine) é um brilho à parte. Como irmã de Sam, Casey toma para si a responsabilidade de cuidar do irmão e, apesar disso, a última coisa que existe na relação deles são “dedos demais”. Sam não é seu irmão com autismo, Sam é apenas seu irmão (ou deveria ser assim, pelo menos). Mas fica evidente o quanto o peso do cuidado exagerado que todos têm com ele faz com que suas particularidades sejam esquecidas.

Sam, Elsa, Doug e Casey

E quando você pensa que família por si só já é suficientemente complicada, Julia (Amy Okuda) nos mostra como uma terapeuta pode ter um impacto gigante na vida de um paciente. É ela quem incentiva Sam a namorar e tenta, aos poucos, explicar como é possível encontrar alguém para dividir a vida. O que ela provavelmente não esperava é que Sam veria nela a maior pretendente para isso. A partir daqui vemos não somente o lado de Sam estar apaixonado pela pessoa que é uma das maiores responsáveis pelo seu desenvolvimento, mas, também, como Julia, além de terapeuta, é uma pessoa normal com seus próprios problemas e tem sua vida afetada pelo seu trabalho.

Atypical está longe de ser um drama que te fará pensar em como a vida é complicada e pessoas com condições como a de Sam vivem em um campo minado sem saída. A série foi capaz de transmitir com sensibilidade e até humor momentos em que nós, que não temos nenhum tipo de condição especial, parecemos ser mais complicados do que alguém com autismo. A série criada por Robia Rashid (How I Met Yout Mother) está longe também de querer romantizar os problemas que Sam enfrenta em um mundo em que a maioria das pessoas não tem empatia pelos os problemas alheios e sequer está disponível para tentar entende-los, mas faz um convite tentador ao telespectador de entrar em um mundo particular e tão especial que pode fazer, nem que seja um pouco, com que possamos nos tornar seres humanos melhores. Afinal, nada pode ser mais difícil do que viver na Antártida durante o inverno.

Tradução: Somente 1.000 pessoas vivem na Antártida durante o inverno – as condições são tão hostis que é difícil sobreviver. Faz com que namorar pareça fácil, não?

Nota: 5/5

Assista ao trailer:

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