Batman & Bill: A história por trás do personagem

Bill Finger foi um escritor nascido em Denver, Colorado (EUA), em 1914. Batman, um dos maiores ícones das histórias em quadrinhos e da cultura pop mundial, teve sua primeira aparição na revista Detective Comics #27 em maio de 1939. O que eles têm em comum? Bob Kane. Kane é a pessoa creditada em todos os materiais do Homem-Morcego como seu criador. Mas o que muitos não sabem é que ele não criou o personagem sozinho: Bill Finger foi o responsável por praticamente tudo o que conhecemos sobre o Cavaleiro das Trevas – inclusive este apelido.

Em 1938, Jerry Siegel e Joe Shuster foram os responsáveis por dar vida a outro ícone no mundo dos quadrinhos: Superman. Foi o personagem e o sucesso financeiro que Siegel e Shuster estavam fazendo com as publicações do mesmo que fizeram Bob Kane se inspirar a criar um novo super-herói. Após contato com a companhia que hoje carrega o nome de DC Comics, Bob criou um personagem com uma máscara baseada na que Zorro usava, com roupas vermelhas e asas. Com a ciência de que não estava bom o suficiente, Bob Kane inseriu Bill Finger em suas ideias, e foi Bill quem fez as mudanças cruciais para termos o Batman que temos hoje: de vermelho, passou suas roupas para um tom mais escuro para se aproximar mais de uma criatura da noite, ao invés da máscara, fez um capuz completo e, no lugar das asas, criou a capa.

À esquerda podemos ver o Batman que conhecemos, alterado por Bill Finger; À direita, o desenho original de Bob Kane. Animação retirada do documentário “Batman & Bill”

Ao voltar na companhia, Bob Kane mostrou o esboço que Bill havia criado para o personagem e o vendeu como se apenas ele estivesse no negócio. Com o contrato feito apenas com Kane, o acordo entre ele e Bill era algo “amigável”. Kane convidou Bill para escrever as histórias de Batman enquanto ele as desenhava, dando uma pequena quantia de dinheiro em troca disso. De 1939 a meados de 1965, todas as revistas do personagem saíram com créditos de criação apenas a Bob Kane, sem contestação. Mas foi em 1965, em uma das raras aparições de Bill Finger em público na primeira Comic Con realizada em Nova Iorque, que as coisas começaram a mudar.

Quando teve a oportunidade de mudar o trajeto e assumir que o amigo de faculdade havia ajudado na criação de Batman, Bob Kane preferiu fingir que ele era, sozinho, o criador do personagem, rebatendo as acusações que vinha sofrendo de alguns leitores que mandavam cartas para a editora perguntando sobre a real situação da criação e escreviam até artigos sobre como Bill Finger não era apenas o criador de Batman, mas também dos outros personagens que faziam parte do universo do Homem Morcego, como Coringa, Robin, Mulher-Gato, Bruce Wayne e até mesmo do batmóvel. E Kane se manteve firme até 1974, quando Bill Finger veio a falecer – sozinho, sem créditos, sem reconhecimento.

Foi apenas em 1989 que Bob Kane tentou se retratar por ter deixado Bill Finger fora dos créditos. O mesmo escreveu na época que Bill não havia recebido o crédito e o reconhecimento que merecia, e que às vezes compartilhava com sua esposa a vontade de voltar 15 anos para poder falar a Bill que ele colocaria seu nome nos créditos. Apesar disso, quando Bob Kane faleceu em 1998, sua família fez uma lápide em sua homenagem, enfatizando o quanto Bob Kane tinha sido abençoado por ter criado o personagem, finalizando com “Batman é conhecido como o ‘Cavaleiro das Trevas’, mas através de suas ações ele anda na Luz de um Poder Superior, assim como seu criador – Bob Kane”.

Nós não conheceríamos a história de Bill Finger se não fossem os esforços realizados pelas pessoas que o conheceram ou, ao menos, procuraram saber mais sobre a história por trás da criação de Batman. E uma dessas pessoas, sem dúvida, foi Mark Tyler Nobleman.

O Garoto Prodígio

Mark Tyler Nobleman é um historiador e já escreveu diversos livros biográficos, incluindo “Boys of Steel: The Creators of Superman”, que retrata a história de Siegel e Shuster, criadores do Superman, e “Bill, the Boy Wonder: The Secret Co-Creator of Batman”, lançado em 2012, resultado de uma pesquisa de seis anos sobre Bill Finger.

“Bill, the Boy Wonder” foi, possivelmente, seu trabalho de maior impacto até então. Mark não somente se dispôs a pesquisar e a ir atrás da história e das pessoas que poderiam ter feito parte da vida de Bill, como lutou com seus familiares até conseguir os créditos que Bill Finger merecia.

Foi depois de muito incentivo aos familiares e lutas judiciais que a DC Comics passou a creditar Bill Finger como criador de Batman ao lado de Bob Kane, em 2015. Em 2016, o nome de Bill apareceu ao lado de Kane pela primeira vez também nos cinemas, em “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça”.

Bill Finger creditado ao lado de Bob Kane nos créditos de “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça”

Apesar de todos os feitos, em entrevista concedida ao Estadão em março de 2016, Mark afirma que não planeja parar de contar a história de Bill tão cedo. “O principal item na lista poderá, agora, ser riscado. Mas sinto uma obrigação cultural de continuar a contar a história de Bill Finger. Meu objetivo mais urgente agora é conseguir um memorial permanente para ele em Nova York, onde ele cocriou Batman, e também possivelmente em Denver, onde nasceu, em 1914”, disse o historiador.

Em maio deste ano, foi lançado pelo Hulu o documentário “Batman & Bill”, que retrata toda a busca de Mark pelo reconhecimento de Bill e conta com materiais de pesquisa, entrevista com familiares e depoimentos emocionantes de colegas de trabalho que conviveram com ele no período em que o mesmo ainda escrevia as histórias de Batman.

Confira abaixo o trailer do documentário:

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