Castlevania: Netflix acerta na adaptação, mas peca em ritmo e duração

Para quem está inserido no mundo dos games, foi uma grata surpresa saber que a Netflix adaptaria Castlevania, famosa série de jogos que teve seu início no Japão em 1986 pelas mãos da Konami e, desde então, cresceu junto às plataformas no decorrer dos anos, indo do Nintendo ao PlayStation e Xbox, passando por um reboot na história em 2011.

Com Warren Ellis, conhecido quadrinista que já trabalhou com títulos como Hellblazer e Thor, a série da plataforma de streaming já tinha um tabu a quebrar antes mesmo da estreia: provar que adaptações de games não só são possíveis além do cinema como, também, podem ser muito boas. O produtor Adi Shankar prometeu que essa seria “a primeira adaptação boa de um jogo”, e quase cumpriu sua promessa.

O primeiro acerto da adaptação foi apostar na animação no estilo anime. A qualidade dos gráficos impressiona, chama atenção pelas cores e, mesmo que boa parte dos episódios aconteçam em torno de um ambiente mais escuro, tudo é bem visível com detalhes bem ricos. O que incomoda um pouco, porém, é que apesar da qualidade gráfica, a produção poderia optar por movimentações mais fluídas, com cortes menos brutos para amenizar a sensação de “travamento”. Mas não é nada que atrapalhe a experiência.

A história é básica e baseada no game Castlevania III: Dracula’s Curse, de 1990. Somos apresentados a Vlad Tepes (Drácula) que conhece sua esposa enquanto a mesma procura por métodos para aprimorar seus estudos na medicina que somente ele poderia proporcionar. Quando ela é morta pelos líderes religiosos intolerantes que tratavam seus métodos como bruxaria, Conde Drácula reúne um exército de criaturas da noite para destruir a raça humana.

Conde Drácula

É entre o tempo de preparação de Drácula com suas criaturas e a soberba da igreja que desdenha da maldição e se coloca acima de tudo e de todos que Trevor Belmont, o último descendente de uma família caçadora de vampiros, se torna o centro da história e precisa aceitar seu destino e salvar a humanidade das garras de criaturas cruéis e perigosos religiosos.

A classificação alta para maiores de dezoito anos é justificada. Pessoas são queimadas vivas, partidas ao meio, desmembradas, com sangue para todos os lados: quem espera por algo violento – característica de Warren Ellis –, digno de criaturas vampirescas e intolerâncias, terá uma carnificina de encher os olhos.

Mas nem tudo é perfeito. Infelizmente, a história é conduzida em pouquíssimo tempo. Enquanto o primeiro episódio cumpre seu papel introduzindo toda a história, seus sucessores são lentos e tratam outros personagens inseridos na série com superficialidade. É apenas no quarto e último episódio onde somos apresentados a Alucard, filho de Drácula – tão bom na série quanto nos games –, que o clímax é atingido e cortado por conta do final da temporada. O alento é que, ao menos, a segunda temporada já foi confirmada e deve chegar em 2018 com o dobro de episódios.

Sypha Belnades, Trevor Belmont e Alucard

Talvez se não fosse pelo pouco número de episódios em que, mesmo sendo poucos e curtos, ainda teve espaço para enrolar com a história, Andi Shankar teria cumprido sua promessa totalmente. As expectativas para a segunda temporada são altas e, mesmo quem nunca jogou Castlevania e só se familiarizou com a história a partir da série, pode esperar algo realmente bom vindo por aí.

Nota: 3/5

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