Crítica: com altos e baixos, 2ª temporada de Stranger Things é satisfatória, mas bagunçada

O fenômeno Stranger Things finalmente voltou à Netflix em sua segunda temporada na última sexta-feira (27). Com 9 novos episódios, a série de ficção científica e “terror” volta com a missão de manter o nível de expectativas dos fãs que esperaram um ano para saber o que aconteceu com a Evelen (Millie Bobby Brown), descobrir se existem outras crianças como ela, ter mais respostas sobre o que exatamente é o demônio Demogorgon, entre outras perguntas que ficaram abertas na primeira temporada.

Será que ela conseguiu?

Obs.: não contém spoilers!

2ª temporada de Stranger Things: expectativa vs. realidade

A primeira temporada de Stranger Things trouxe um ar de nostalgia aos anos 1980, uma trama interessante envolvendo fenômenos sobrenaturais, além de várias referências a produções que vão de Stephen King a Steven Spielberg. Tudo isso, junto ao carisma dos personagens protagonistas – Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo), Lucas (Caleb McLaughlin), Will (Noah Schapp) e Eleven –, fez com que a série fosse considerada um dos maiores sucessos da Netflix.

(Mike, Will, Lucas e Dustin – 2ª temporada de Stranger Things)

Talvez, por esse motivo, as expectativas para a segunda temporada estivessem, inegavelmente, altas. E, também, talvez seja por isso que a série deixou a desejar em alguns pontos, principalmente em sua narrativa, que ficou um tanto quanto bagunçada. Não que a temporada seja ruim – longe disso! –, mas, ao mesmo tempo em que ela respondeu às perguntas que ficaram abertas na temporada passada, a trama trouxe mais “buracos” e/ou assuntos mal desenvolvidos.

(A personagem Eleven continua sendo uma das melhores coisas de Stranger Things)

A trama retorna quase um ano após os incidentes da primeira temporada. Sabemos que o foco da temporada será o Will (e as ‘coisas estranhas’ que acontecerão depois dele ter voltado do Mundo Invertido) e, também, que Eleven sobreviveu ao ataque contra o Demogorgon, mesmo que ela ainda esteja desaparecida.

O problema é que tudo começa de uma maneira muito lenta – e essa lentidão se repete em alguns momentos ao longo da temporada. Basicamente, as coisas começam a melhorar no quarto episódio, mas o nível cai novamente e só volta a prender a atenção (e tirar o fôlego) no 7º episódio, quando o suspense aumenta consideravelmente.

Outro ponto negativo são as informações que se perdem ao longo da temporada. Sem trazer nenhum spoiler aqui, a primeira cena do episódio 1 trouxe uma das respostas que o público queria: existem, sim, outras crianças como a Eleven. E provavelmente cada uma tem uma habilidade diferente. O problema é que essa informação fica em “stand by” e só é resgatada na metade da temporada (e depois se perde novamente).

Até mesmo personagens como o Mike e a recém-chegada Max (Sadie Sink) encontram-se deslocados vez ou outra. Max, no caso, é apresentada ao público na lentidão do primeiro episódio. A garota, que é skatista e uma ótima jogadora no fliperama, inicialmente leva o pseudônimo “Mad Max” e depois é convidada a participar do grupo com os 4 garotos.

(Lucas, Dustin, Mike e Max – 2ª temporada de Stranger Things)

Outro novo personagem de Stranger Things é o irmão mais velho de Max, Billy (Dacre Montgomery), que aparece na história como um “pseudo-vilão”, mas sua participação parece dizer mais a respeito pelo motivo no qual Max se mudou para a cidade de Hawkins do que a uma real contribuição para a série.

Por falar em Mad Max, as referências nostálgicas e os chamados easter eggs fazem os episódios valerem a pena. Neles, temos referências aos Caça-Fantasmas, O Exterminador do Futuro, a espaçonave Millennium Falcon (da saga Star Wars), aos filmes de terror Halloween e Poltergeist, e muitos outros.

Tais referências, junto com a trilha-sonora (que é ótima), tornam a 2ª temporada de Stranger Things satisfatória, mas sem o impacto que a primeira temporada causou. Ainda assim, vale muito a pena desfrutá-la em uma maratona no final de semana!

Ficha técnica:

Stranger Things – Temporada 2 (Estados Unidos)

Ano: 2017

Canal: Netflix

Direção: Matt Duffer, Ross Duffer, Shawn Levy, Andrew Stanton e Rebecca Thomas

Roteiro: Matt Duffer, Ross Duffer, Justin Doble, Paul Dichter, Jessie Nickson-Lopez e Kate Trefry

Elenco: Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Finn Wolfhard, Caleb McLaughlin, Wiona Ryder, Noah Schnapp, David Harbour, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Joe Keery, Matthew Modine, Dacre Montgomery, Sadie Sink, Carla Buono, Joe Chrest e Brett Gelman

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