Crítica: Lorde – Melodrama (2017)

Sob o conceito de uma noite de festa, Lorde lança seu segundo álbum, Melodrama. Seguindo a linha indie pop que caracterizou seu primeiro trabalho, Pure Heroine (2013), o storytelling do Melodrama começa na pista de dança com Green Light e termina com um típico final de festa em Perfect Places. “Tenho 19 anos e estou em chamas, mas quando estamos dançando, eu estou bem; é apenas mais uma noite sem graça”, canta Lorde em uma das estrofes da música.

Melodrama: quatro anos de espera que valeram a pena

Em 2013, éramos apresentados à cantora neozelandesa Lorde que, com apenas 16 anos, emplacou no topo das paradas musicais a canção Royals, vencedora do Grammy Awards no ano seguinte na categoria Música do Ano. O gênero indie pop/eletropop, bastante diferente do que as demais cantoras do mainstreaming andavam fazendo, fez de Lorde um destaque no cenário pop internacional e ainda trouxe de brinde, além de Royals, os singles Tennis Court e Team.

Quatro anos depois, Lorde – agora com 20 anos – retorna em seu segundo trabalho, Melodrama, lançado oficialmente nesta sexta-feira, 16. O álbum, composto de 11 faixas inéditas, apresenta uma mistura de sonoridades que estão em perfeita harmonia com o storytelling proposto, sendo, assim, um ótimo convite para você colocar os fones de ouvido, fechar os olhos e se imaginar literalmente dentro de uma festa.

Antes do lançamento, Lorde disponibilizou quatro das onze faixas do CD nos serviços de streaming e em seu canal oficial no YouTube: Liability, Perfect Places, Sober e Green Light – música que fala sobre uma desilusão amorosa da qual ela não consegue esquecer, além de ser o primeiro single do álbum. O ritmo dançante da música nos mostra uma faceta de Lorde que até então só conhecíamos em canções como Million Dollar Bills, do Pure Heroine. Uma ótima escolha para ser o carro-chefe do Melodrama.

Assista ao clipe:

Sober, Homemade Dynamite e The Louvre, na sequência, criam uma atmosfera sexy. Já que você está numa ‘festa’, é hora de ficar bêbado(a) e beijar todo mundo. “The Louvre”, aliás, tem um refrão simples, mas viciante, que é acompanhado de batidas e sintetizadores que fazem a música crescer até atingir um nível bastante intenso; com certeza é uma das melhores faixas do álbum. Se até aí você já bebeu todas e precisa de uma pausa, chegou a hora do “momento bad” da noite. E, para isso, temos Liability, Hard Feelings/Loveless e Sober II (Melodrama).

A 8ª faixa, Writer In The Dark, acompanhada de piano, violino e várias camadas de voz, tem uma letra cheia de drama (“eu te amo até você chamar a polícia para mim”), mas é uma das faixas mais bonitas do Melodrama. Na sequência, Supercut traz o ritmo dançante de volta para a festa. E depois Liability (Reprise), que é bem diferente da primeira Liability, é uma faixa que é “a cara da Lorde”: simples, bonita e sem a necessidade de enfeitá-la demais para chamar a atenção da indústria.

Por fim, Perfect Places é aquela música saideira. Dá uma sensação de nostalgia, pois lembra canções como Tennis Court, por exemplo. A cereja no topo do bolo da festa apresentada por Lorde com certeza é essa música!

Melodrama veio para mostrar aos fãs da Lorde que a espera pelo segundo álbum valeu a pena. A maturidade da cantora não é refletida apenas nas letras das músicas que acabam por ser retratos fiéis dos altos e baixos das nossas próprias confusões amorosas e como lidamos com elas, mas também porque Lorde, diferente do que muitos pensavam (e apesar de ainda ser nova em uma indústria tão grande), nos mostra que ainda há muito o que percorrer daqui para frente e que ela é totalmente capaz de nos entregar materiais cada vez melhores sem abdicar da própria identidade. E quem ganha com isso somos nós!

Ouça o álbum completo no Spotify:

Nota: 4,5/5

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Eduardo Silva
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Jornalista. Gosto de raposas, Nutella e boas playlists no Spotify!

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