Maze Runner chega ao seu final em “A Cura Mortal”: expectativas foram atendidas?

“Maze Runner – A Cura Mortal” vem com uma boa e uma má notícia. A boa notícia é que, enquanto trilogia para o cinema, o terceiro filme da franquia atende às expectativas de quem o assiste – existe ação, desfechos (felizes e tristes) dos personagens e um final que provavelmente agradará a maioria. A má notícia, entretanto, é mais voltada para quem acompanha Maze Runner desde os livros: a adaptação para o cinema mudou tantas coisas da história original que passa uma sensação meio: “tá ruim, mas tá bom”.

Claro que a intenção aqui não é entrar na discussão de que “o livro é melhor do que o filme”, muito menos passar a crítica inteira fazendo comparações entre as duas coisas, porém é preciso abrir alguns parênteses rápidos…

Desde “Prova de Fogo”, muitas coisas foram alteradas na história: cenas foram retiradas, novas situações não-tão-importantes-assim foram acrescentadas, informações do terceiro livro foram apresentadas no segundo filme e por aí vai… O resultado é que, com a chegada do terceiro e último capítulo da história de Thomas (Dylan O’Brien) e cia, parece que a saga perdeu seu rumo. E, por estar sem rumo, as mais de duas horas de filme se arrastam demais.

Claro que o filme compensa a falta de história e/ou diálogos com (ótimas) cenas de ação, mas ainda assim os produtores perdem uma ótima chance de tornar Maze Runner uma saga inesquecível dentro da linha de franquias juvenis sobre mundos distópicos e pós-apocalípticos – a exemplo de seu pioneiro, Jogos Vorazes.

Dito isso, uma vez que, apesar desses “defeitos”, o filme consegue encerrar bem o ciclo apresentado em Correr ou Morrer (2014) e em Prova de Fogo (2015), vamos nos concentrar no que “A Cura Mortal” nos traz.

O longa começa exatamente onde o anterior terminou. Thomas, Newt (Thomas Brodie-Sangster) e Caçarola (Dexter Darden) precisam voltar ao CRUEL para salvar Minho (Ki Hong Lee), que foi capturado pela organização. O desafio, portanto, é encontrar uma forma de invadir o prédio do CRUEL sem serem capturados pelos guardas de Janson (Aidan Gillen) e Ava Paige (Patricia Clarkson), que continuam fazendo testes nas crianças imunes ao fulgor com o objetivo de encontrar a cura para o vírus.

A primeira parte do filme concentra-se neste resgate ao amigo, deixando a tal cura mortal totalmente em segundo plano. O que mantém o assunto presente são as cenas de Teresa (Kaya Scodelario), que traiu o grupo de clareanos no segundo filme e se tornou a principal pesquisadora do CRUEL na busca pela cura do vírus. Teresa se torna uma personagem bastante controversa em que você nunca sabe ao certo se ela ainda é a mocinha da história ou acabou se tornando uma vilã… e isso é ótimo!

O filme também traz uma percepção muito interessante sobre o prédio do CRUEL: enquanto a organização e os cidadãos ricos vivem numa cidade livre do vírus e protegidos por um enorme muro que os separa das “pessoas descartáveis”, essas pessoas, por sua vez, sabem que foram deixadas para morrer e planejam invadir a cidade.

Thomas também conta com a ajuda de Brenda (Rosa Salazar) e Jorge (Giancarlo Esposito) para invadir o prédio do CRUEL

Como já dito, as cenas de ação guiam boa parte do filme, como se a ordem de “correr ou morrer” nunca acabasse. Mas, apesar de ser um destaque positivo, o filme peca demais nos desdobramentos dessas mesmas cenas…

Sabe aquela típica situação em que o mocinho do filme está em perigo, numa espécie de túnel sem saída, e aí algum outro personagem aparece DO NADA para salvá-lo? Esse é um clichê até que aceitável para os filmes de ação e aventura; o problema é que A Cura Mortal utiliza esse mecanismo diversas vezes durante o filme inteiro. Chega um momento em que você nem fica mais tenso ou preocupado com os personagens, pois sabe que a saída será a mais óbvia possível.

Se você desconsiderar esse fato, o restante do filme pode ser bem agradável. Além disso, o final ficou bem mais real do que o desfecho proposto no livro (mas ok, não vamos entrar nessa discussão de novo) e, no caso daquelas pessoas mais emotivas, é capaz até de arrancar algumas lágrimas de canto de olho na poltrona do cinema. A conclusão é que “Maze Runner – A Cura Mortal” é bom, mas poderia ser melhor, muito melhor!

Nota: 3/5

Assista ao trailer de Maze Runner – A Cura Mortal:

FICHA TÉCNICA:

Maze Runner: A Cura Mortal
Data de lançamento: 25 de janeiro de 2018
Direção: Wes Ball
Elenco: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario, Thomas Brodie-Sangster, Ki Hong Lee, Rosa Salazar, Giancarlo Esposito
Gêneros: Ficção científica, Aventura
Duração: 140 minutos
Nacionalidade: EUA

P.S.: Maze Runner é uma ótima saga com ficção científica, ação, um vírus destruindo o planeta, luta pela sobrevivência, crianças sendo usadas como cobaias e até zumbis infectados. Vale muito a pena separar um tempo para conhecer os livros escritos pelo autor americano James Dashner – que além da trilogia, também escreveu “Ordem de Extermínio”, que mostra como o vírus fulgor surgiu e apresenta outros personagens protagonistas, e “O Código da Febre”, que fala sobre a infância de Thomas e Teresa, e a criação do o CRUEL.

Dashner também é autor da saga A Doutrina da Morte. Temos uma resenha sobre o primeiro livro, confira aqui: A Doutrina da Morte – Vol. 1: O Jogo Infinito.

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Eduardo Silva
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