Crítica: O Chamado 3

O Chamado 3 estreou nos cinemas no dia 2 de fevereiro de 2017, 15 anos depois do primeiro filme da franquia. O enredo principal você provavelmente já conhece: todo mundo que assiste a uma “fita assassina” recebe uma ligação dizendo que vai morrer em 7 dias. Durante esse período, vários acontecimentos ruins cercam o dia a dia da pessoa amaldiçoada até que, no seu último dia de vida, a vítima recebe a visita de Samara – uma menina de apenas oito anos que sai de dentro de um poço para vingar sua própria morte.

Atenção: contém spoilers!

Crítica O Chamado 3 Dentro da minha TV 1

Em O Chamado 3, a maldição do vídeo presente na fita de Samara ultrapassa os limites do espaço físico dos aparelhos de videocassete e se transforma em um arquivo que pode ser assistido em qualquer computador, tablet ou celular. A ideia de adaptar o enredo original para a realidade de quem vive em 2017, inicialmente, é excelente, afinal hoje em dia quase ninguém tem fitas VHS, muito menos um videocassete em casa para assisti-las. Entretanto, ao longo do filme, tudo acaba ficando “mais do mesmo”, sem grandes surpresas.

Gabriel, um professor de biologia, encontra a fita assassina dentro de um videocassete comprado em uma feira de antiguidades. Ele assiste ao vídeo e recebe a ligação de Samara, como era de se esperar. A grande diferença é que ele descobre que, se durante os seus últimos 7 dias de vida, ele conseguir fazer com que outra pessoa assista a uma cópia do vídeo, sua vida será poupada.

Com isso, o professor começa a recrutar uma série de pessoas (as quais ele chama de “seguidores”) e disseminar a maldição de Samara sob a explicação de oferecer uma experiência capaz de comprovar a vida após a morte. Essas pessoas acabam assistindo a cópias do vídeo e, logo em seguida, passam a procurar outros seguidores, de modo que elas consigam se livrar da morte dentro de 7 dias.

Até o momento, essa quebra de padrão em O Chamado 3 desperta curiosidade para o desenrolar do filme. Me lembrou muito “Corrente do Mal” (It Follows), outro filme de terror que vale a pena assistir.

Aliás, outra quebra de padrão bem interessante ocorre logo na primeira cena do filme. Cena fraca, mas curiosa. A vítima de Samara (o dono do videocassete que é comprado por Gabriel dois anos depois) está em um avião no momento em que seu tempo de vida está acabando. Se não me falha a memória, as cenas de aparição da Samara em O Chamado 1 e O Chamado 2 ocorrem em chão pleno, no momento em que as pessoas estão sozinhas. Nesse caso, a vítima está em um espaço aéreo, cercado de outras pessoas, e ainda assim Samara consegue chegar até ele.

No vídeo abaixo você consegue assistir a primeira cena de O Chamado 3, divulgada pela Paramount Pictures.

Enfim, voltando… em O Chamado 3 era possível trazer uma história original, aproveitando a rapidez da troca de informações/arquivos na internet para que a maldição tomasse proporções imensas (ok, isso até acontece, mas só no final do filme) ou mesmo usar a “loucura” do professor de biologia na busca por estudar a Samara e, assim, condenar cada vez mais pessoas à morte em um ciclo sem fim – afinal, nem todos vão conseguir achar um seguidor para se salvar.

No entanto, os diretores acabam cometendo o mesmo erro que os filmes da franquia Premonição sempre fazem: repetem acontecimentos presentes nos filmes anteriores e, assim, o espectador sabe exatamente como será o começo/meio/fim do longa. Isso acontece no momento em que a personagem principal, Julia (Matilda Lutz), assiste ao vídeo para salvar a vida de seu namorado, Holt (Alex Roe).

Crítica O Chamado 3 Dentro da minha TV 2

Julia é surpreendida ao ver que a sua cópia contém novas cenas, impossíveis de serem passadas adiante – provavelmente porque se tratam de uma mensagem (de ajuda?) de Samara exclusivamente para ela.

Assim sendo, ela viaja até a cidade onde a menina nasceu para se aprofundar sobre o seu passado e buscar respostas sobre o novo vídeo, além de, claro, conseguir salvar sua vida. Uma corrida contra a morte desesperadora, mas nada muito diferente do que já foi feito nos filmes anteriores.

O restante do filme segue num nível mediano e sem grandes surpresas, até porque, infelizmente, o casal ‘sem sal’ Julia e Holt não tem muito o que acrescentar à trama. Para piorar, O Chamado 3 não é um filme que provoque medo (as cenas “assustadoras” são bem fracas). Mas, se você é do tipo de pessoa que não assiste a filmes de terror porque tem medo, ele é uma boa opção de filme para ver, seja no cinema ou em casa quando sair em qualidade boa para baixar na internet.

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Eduardo Silva
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