Crítica: Um Contratempo | Você deixaria que um contratempo acabasse com tudo o que você construiu?

Se depois de muito trabalho, você finalmente conquistasse o tão sonhado sucesso profissional, mas um contratempo pudesse acabar com tudo de uma hora para outra, até onde você iria para resolver essa situação?

É assim que a vida do empresário Adrian Doria (Mario Casas) se encontra na trama de Um Contratempo (‘Contratiempo’ – título original), dirigido pelo cineasta espanhol Oriol Paulo. Com um roteiro extremamente inteligente, o filme de suspense/mistério policial aborda a ambição do ser humano e guia o espectador em um thriller repleto de reviravoltas que mostra que uma mesma mentira pode ter vários lados – e o lado que se torna uma verdade é aquele que tem o melhor argumento.

Adrian Doria (Mario Casas) e Laura Vidal (Bárbara Lennie) em Um Contratempo

“O segredo está nos detalhes”

Premiado recentemente como o “empresário do ano”, o jovem Adrian Doria desfruta do sucesso e do dinheiro ao lado de sua esposa e sua filha. Sua vida vira de ponta-cabeça quando ele desperta em um quarto de hotel com um ferimento na cabeça e encontra sua ex-amante – a fotógrafa Laura Vidal (Bárbara Lennie) – assassinada no banheiro, coberta por várias notas de euros.

Para piorar sua situação, nenhuma testemunha viu ninguém sair pela porta do quarto (que, aliás, encontrava-se trancada por dentro com a corrente de segurança) e as janelas do hotel não poderiam ser abertas por dentro. Ou seja, não havia nenhuma maneira de outro suspeito sair de lá sem deixar vestígios.

Com todas as suspeitas apontando para ele, Doria – que alega ser vítima de uma armadilha – recorre a melhor advogada de defesa da Espanha, Virginia Goodman (Ana Wagener), para que eles possam encontrar o verdadeiro culpado.

Ana Wagener no papel de Virginia Goodman

Um Contratempo é um suspense espetacular que nos leva a um final arrebatador. Durante todo o filme, o espectador consegue criar diferentes teorias sobre cada personagem conforme as reviravoltas começam a acontecer. Embora a história pareça estar centrada em Adrian Doria, todos os demais personagens do longo têm sua importância na trama e são muito bem devolvidos pelo diretor Oriol Paulo.

Para que Doria e sua advogada consigam encontrar a defesa perfeita para apresentar ao tribunal, o empresário precisa eliminar alguns “buracos” no relato do que aconteceu na noite do crime. Não demora muito para que ele confesse a existência de outro crime, no qual foi cúmplice junto com Laura e, assim, mude todas as perspectivas do caso atual.

O filme, então, faz uso de flashbacks para situar o espectador entre o passado e o presente da história, inicialmente sob o ponto de vista de Doria e a influência de sua ex-amante que o levou para uma situação fora de controle. Mas, ao passo que Virginia majestosamente consegue desencobrir alguns fatos, a história de ambos os crimes passa a ser recontada, dessa vez sob novas perspectivas.

Assim, o caso que parecia ser simples, vai ganhando cada vez mais complexidade, como se fosse um quebra-cabeça que vai sendo montado por quem acompanha a trama. Nada é tão óbvio quanto parece ser. E é isso que torna o roteiro tão espetacular!

Nota: 5/5

Assista ao trailer:

FICHA TÉCNICA

Um Contratempo (Contratiempo)
Data de lançamento: 6 de janeiro de 2017
Direção: Oriol Paulo
Elenco: Mario Casas, Bárbara Lennie, Ana Wagener, José Coronado, Francesc Orella
Gêneros: Policial, Suspense
Classificação: 12 anos
Duração: 106 min
Nacionalidade: Espanha

O filme estreou recentemente na Netflix.

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