Diferentes formas de humor com Rafael Cortez, Fábio Porchat e Gregorio Duvivier

Conhecido como a arte de fazer sorrir, o humor é um elemento essencial para a vida humana, mas será que há um segredo para fazer rir? Essa edição do Universidade no Ar para a Rádio CBN aborda as diferentes formas de humor (stand-up comedy, humor na TV e humor na internet) com os humoristas Rafael Cortez (CQC), Fábio Porchat e Gregorio Duvivier (Porta dos Fundos). Ouça a matéria completa no vídeo abaixo e acompanhe a sua transcrição neste post!

Por muitos anos, a TV foi responsável por criar e popularizar programas humorísticos. No entanto, não é de hoje que ela disputa a atenção de brasileiros com outros estilos de se fazer rir, entre eles, o stand-up comedy. Quem tem mais informações é o repórter Eduardo Silva.

O stand-up comedy levou muitos admiradores do estilo para bares e teatros. Com a sua popularização, muitos comediantes passaram a ser convidados a se apresentar em programas de televisão. Mas como é passar as piadas do palco para a TV? Quem responde é o humorista Rafael Cortez, repórter do programa CQC (Custe o Que Custar).

Rafael Cortez: Eu realmente acho que as coisas do stand-up funcionam no palco; é uma cumplicidade que se estabelece entre você e a plateia. Quando você sai do palco e tenta fazer stand-up no rádio ou na televisão – no barzinho funciona ainda, mas outros lugares que não sejam barzinhos ou teatros certamente vai ficar mais difícil. O fator que complica é que a televisão é um meio que dá uma desaquecida natural no que você manifesta ali. Mas ainda assim funciona, prova disso é a quantidade de projetos bacanas que existem de stand-up na televisão e acho que, hoje, o maior deles é o República do Stand-up, uma coisa muito bacana que o Comedy Central faz e eu tenho o privilégio de ser o apresentador da temporada desse ano.

A dificuldade em fazer humor na TV fez com que muitos humoristas usassem a internet como meio de divulgação, como é o caso de Fábio Porchat e o Porta dos Fundos. Fábio Porchat já fez roteiros para a Rede Globo e atualmente é roteirista e ator do Porta dos Fundos, canal de humor que atualmente tem mais de dois bilhões de visualizações no YouTube. Perguntamos para ele qual é a diferença entre escrever roteiros para a TV e para a internet.

Fábio Porchat: Qualquer tipo de produto é diferente de outro e a plataforma também. Um filme é diferente de um telefilme, por exemplo, que também é diferente de um filme para a internet. Você tem plataformas diferentes e produtos diferentes. Então um texto para o Zorra [Total] é um tipo de texto que é diferente de um texto para o Porta [dos Fundos]. Não que seja melhor ou pior, mas simplesmente é outro tipo de produto. Se você for escrever para o CQC é diferente de escrever para o Porta e se eu for escrever para o Tá No Ar é diferente de escrever para o Porta também. Tem as limitações da plataforma e daquele programa. Na TV aberta você tem algumas limitações que você não tem na internet e vice-versa. Eu posso mostrar mulher pelada na TV, mas eu não posso mostrar mulher pelada no YouTube porque o YT censura. Mas eu posso falar palavrão no horário que eu quiser no YouTube, mas na Globo eu não posso. Então são só questões de “tem podes e não podes”.

Fábio também explicou a diferença entre censura, as limitações da televisão aberta e outras mídias.

Fábio Porchat: A TV aberta está passando para todo mundo, é uma concessão pública, a pessoa liga a TV e você “entra” na casa dela, então tem certas restrições mesmo. Tem coisas que criança, ao meio dia, não pode ver, e tem outras coisas que às 11 da noite você pode mostrar, o público é outro. Então eu acho que é mais nesse sentido: censura é algo mais “ah, não pode porque vai falar mal da religião” isso seria uma censura e eu acho que é um problema. Ou “ah, não pode falar mais de sei-lá-o-quê”. Mas falar sobre o assunto, por exemplo, o Tá no Ar está falando sobre vários assuntos sem “censura nenhuma”, inclusive falando mal da própria Globo, se você for pensar em TV. Então acho que, de um modo geral, é mais assim: cada plataforma tem a sua limitação.

Com o tempo, o humor cheio de estereótipos e preconceitos perdeu espaço para o chamado humor inteligente. Gregorio Duviver, que também é roteirista do Porta dos Fundos, responde se isso é um reflexo das novas gerações ou se o perfil do brasileiro mudou.

Gregorio Duviver: Eu acho que o que está acontecendo no Brasil é um processo de mudança grande, não só no humor, mas estrutural na sociedade. Eu acho que a sociedade brasileira está mudando muito: é uma sociedade tradicionalmente machista, racista e homofóbica, e eu acho que o humor é filho da sociedade, então ele também é tradicionalmente machista, racista e homofóbico e tudo mais. Então eu acho que humor está mudando junto com o Brasil – ou o humor está mudando o Brasil –, o fato é que o humor está cada vez menos ‘estereotipado’ e acho que isso é um ótimo reflexo de algumas mudanças que estão acontecendo na sociedade.

Nota do redator: O programa Universidade no Ar é uma parceria da Universidade São Judas Tadeu com a Rádio CBN. Esta edição foi produzida pelos alunos Laís Souza e Eduardo Silva, do 4º ano do curso de Jornalismo, em maio de 2015.

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