Especial: Mulher-Maravilha

Em 1940, William Moulton Marston – também conhecido como Charles Moulton –, na época psicólogo e também inventor do polígrafo, se aventurou como consultor educacional na National Periodical Publications e All-American Publications (duas companhias que, mais tarde, dariam vida à DC Comics) após estudos sobre o potencial educacional das histórias em quadrinhos. Moulton então viu a oportunidade de criar um novo super-herói.

No início dos anos 40, tínhamos uma avalanche de personagens masculinos que triunfavam através de seus superpoderes. Pensando nisso, junto à sua esposa Elizabeth Holloway Marston, nasceu a ideia de criar uma super-heroína que, apesar de sua força física, triunfaria pela sua compreensão, poder e amor.

Sua primeira aparição nos quadrinhos ocorreu em 1941 na revista All Star Comics #8, escrita por Moulton e desenhada por Harry George Peter. A história teve sua continuação publicada em uma nova revista que levou o título de Sensation Comics #1, em 1942. Seu sucesso foi tamanho que não demorou muito para a super-heroína enfim ganhar uma revista própria, lançada em maio do mesmo ano, intitulada Wonder Woman #1.

Desde então, a história da Princesa Amazona sofreu muitas alterações sendo, inclusive, uma das personagens dos quadrinhos que mais teve sua história de origem reformulada ao longo dos anos.

ORIGENS

Diana encontra Steve Trevor pela primeira vez

De início, somos apresentados à Ilha Paraíso, um misterioso local escondido, mais tarde conhecido por Temiscira (nome inspirado em uma cidade da mitologia grega), onde habitavam as amazonas. A rainha das amazonas, Hipólita, teria pedido aos deuses que dessem vida à uma escultura de argila, nascendo assim uma menina: Diana. Junto com a vida, os deuses lhe presentearam com poderes como sabedoria, velocidade, força, poder, beleza, bondade, compreensão e amor.

Quando adulta, após um avião se chocar na Ilha Paraíso, Diana conhece Steve Trevor, um piloto e major da Força Aérea dos Estados Unidos. Após vencer uma competição imposta por Hipólita para saber qual das amazonas levaria Steve de volta aos Estados Unidos, Diana conhece o mundo dos homens em plena Segunda Guerra Mundial e se torna embaixadora da paz, lutando contra os nazistas.

Durante os anos e todas as suas reformulações, a Mulher-Maravilha usa a identidade secreta de Diana Prince, que já teve encarnações como: enfermeira, secretária, agente do Departamento de Defesa e até dona de uma butique de moda.

Sob o roteiro de Mike Sekowsky, após recusar-se a ir para outra dimensão com suas irmãs amazonas, Diana perdeu seus poderes e precisou, por conta disso, pedir afastamento até da Liga da Justiça. É nessa época que ela encontra o instrutor de artes marciais I Ching, com quem ela aprende a se virar sem seus poderes e artefatos mágicos após a morte de Steve Trevor.

A Crise nas Infinitas Terras, de 1986, foi um grande evento da DC Comics que causa impacto nas histórias de alguns dos principais heróis da editora até hoje. É aqui que a Mulher-Maravilha recebe uma rajada do Antimonitor que, evoluindo em seu corpo, faz com que ele volte ao tempo até sua forma de barro na Ilha Paraíso. Como um tributo pré-crise, foi lançada a Legend of Wonder Woman, escrita por Kurt Busiek. A minissérie conta como, ao descobrir que Afrodite estava usando seus poderes para manter intacta a Ilha Paraíso e as amazonas das mudanças ocasionadas pela Crise nas Infinitas Terras, Hipólita pede que Afrodite recue pois não é isso que ela deseja. Sem os poderes de Afrodite, Temiscira se dissolve até que não exista mais e as amazonas se transformam em estrelas.

Logo após a Crise, a DC Comics procurava por alguém que reformulasse a história da Princesa Amazona. Depois de um período de tentativas e desistências, em 1987 George Pérez foi o responsável por dar uma nova vida à Mulher-Maravilha, recontando a história do torneio em que Diana desafia Hipólita e, ao vencer, é incumbida de levar Steve Trevor de volta à terra dos homens. Aqui também nos é revelado que as amazonas seriam a reencarnação de mulheres que ao longo da história morreram como resultado do ódio e da incompreensão dos homens.

A fase da Mulher-Maravilha de Pérez, inclusive, tem sido republicada pela Panini Comics aqui no Brasil em forma de encadernado com o título de Lendas do Universo DC – Mulher-Maravilha, que já conta com três volumes.

Em outra reformulação recente, ocorrida em 2011 na fase dos Novos 52, a Mulher-Maravilha descobre que não foi criada a partir do barro e sim que, na verdade, é filha de Hipólita com o deus da guerra Zeus, a tornando uma semideusa. Outro fato relevante aqui é que, durante os Novos 52, a Mulher-Maravilha tem um relacionamento com outro grande personagem da DC Comics: nada mais, nada menos do que Superman.

Mas, em 2016, com a fase Renascimento da editora, em mais uma tentativa de organizar a cronologia e “apagar” alguns eventos que aconteceram nos Novos 52, a própria fase Novos 52 foi “apagada” e, com isso, o relacionamento de Mulher-Maravilha e Superman passa a não existir mais (eu ouvi um amém?).

Nesta fase, escrita pro Greg Rucka, ela também volta a ter um relacionamento com Steve Trevor após a morte de seu ex-namorado Superman na fase anterior. O Renascimento, inclusive, tem sido uma das melhores criações da DC Comics em tempos e, para não dar mais spoilers, recomendamos que você procure as publicações de Mulher-Maravilha. Rucka volta para explodir nossos miolos com grandes revelações sobre Diana e a Ilha Paraíso.

OUTRAS APARIÇÕES

Nem só de “gibizinhos” vive nossa Princesa Amazona. Ao longo de todos esses anos, a Mulher-Maravilha já foi retratada em séries de TV, animações e, mais recentemente, em filmes também (finalmente)! Confira abaixo um pouco sobre cada aparição:

Série de TV

A primeira tentativa de retratar a Mulher-Maravilha em uma série televisiva ocorreu em 1960, após o grande sucesso que a série do Batman fazia na época. Com o intuito de fazer algo cômico, com um conteúdo que pudesse ser encaixado em trinta minutos, um piloto foi gravado em 1967 e apresentava uma Diana Prince desajeitada que, ao se olhar no espelho, se tornava a Mulher-Maravilha. O teor cômico não agradou ao público e a série nem chegou a ser produzida. Mas em 1975, enfim, uma série norte-americana sobre a Mulher-Maravilha, protagonizada por Lynda Carter e produzida pela rede ABC, teve grande sucesso. Apresentando ao público a origem de Diana na Ilha Paraíso e a história das amazonas, o seriado foi produzido até 1979 e teve três temporadas. Lynda utilizou na série, além do uniforme clássico, artefatos tradicionais como o Cinturão do Poder, os Braceletes e o Laço da Verdade, além do Jato Invisível.

Animações

Se tem algo em que a DC Comics dificilmente decepciona, é em suas animações. E a Mulher-Maravilha se faz presente em sua maioria! Além de ser personagem fixa em animações como Liga da Justiça (2001) e Liga da Justiça sem Limites (2004), foi em 2009 que a personagem ganhou uma animação incrível que leva o seu nome e conta sua história de origem. Atualmente, a personagem também aparece em uma série animada infantil, a DC Super Hero Girls, em que uma versão adolescente da Mulher-Maravilha aparece ao lado de outras personagens como Hera Venenosa, Supergirl, Batgirl, Arlequina, Katana e Abelha no Super Hero High.

 

Cinema

Foram muitas as tentativas de fazer com que um longa-metragem sobre a Mulher-Maravilha fosse produzido. Desde 1974, com a tentativa frustrada da ABC em fazer um filme que mudou completamente as características da amazona, até o “quase” de Joss Whedon, em 2007 que chegou a ter até roteiro, mas não foi para frente. Foi com a ideia de um Universo Estendido que, finalmente, a DC Comics e a Warner Bros. Pictures decidiram que era o momento de trazer a Mulher-Maravilha para o cinema. Em dezembro de 2013 a atriz israelense Gal Gadot foi confirmada como a heroína, o que deixou muitos fãs de nariz torto em relação ao físico magro da atriz. Seu filme solo já estava na agenda da Warner quando sua primeira aparição no universo cinematográfico ocorreu em Batman Vs. Superman (2016) que reuniu, pela primeira vez, a Trindade em live-action. Passando por cima dos comentários maldosos e considerada como uma das melhores coisas que aconteceram ao filme após o mesmo ter sido massacrado em críticas, nossa querida Princesa Diana interpretada por Gadot chega aos cinemas nesta semana com seu filme solo, sob direção de Patty Jenkins que, assim como nós, é grande fã da personagem e sempre quis fazer um filme de origem sobre a Mulher-Maravilha e assumiu o posto após a saída da diretora Michelle McLaren, que deixou o projeto alegando diferenças criativas.

MULHER-MARAVILHA E O FEMINISMO

Em sua criação, Moulton deixou na Mulher-Maravilha muitas características de sua vida pessoal e de pessoas que o rondavam, especialmente de sua esposa Elizabeth e sua aluna Olive Byrne que fez parte de uma relação poligâmica entre eles.

Perante a forma com que se relacionava e via as mulheres mais fortes, independentes e confiáveis do que os homens (já naquela época), uma de suas maiores intenções ao criar a personagem era inspirar outras mulheres, jovens e crianças e mostrar que elas poderiam ser tão corajosas quanto a Mulher-Maravilha ou mais.

Com a mesma premissa, o filme de Patty Jenkins sobre Mulher-Maravilha acontece no que podemos caracterizar como “momento certo”. Entre tantas lutas por igualde de gêneros, oportunidades e salários igualitários e mais respeito pelo corpo e decisões das mulheres, o filme chega com a responsabilidade não somente de contar pela primeira vez uma história de origem sobre uma das maiores personagens dos quadrinhos de todos os tempos, defensora da verdade e da justiça, mas mostrar que é possível fazer isso sob o comando de uma mulher, com um elenco composto por mulheres em sua maioria e o quanto isso não é nem um pouco intimidador, pelo contrário – nós podemos fazer isso E MUITO MAIS!

Gal Gadot como Mulher-Maravilha

Mulher-Maravilha estreia no Brasil em 1 de junho e os ingressos já estão em pré-venda em todas as redes de cinema. Corra para garantir o seu lugar e presenciar todo o poder, graça e sabedoria dessa maravilhosa!

 

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Comentários

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2 Thoughts to “Especial: Mulher-Maravilha”

  1. Lois

    Esse filme vai ser uma delícia, uma amiga pagou minha entrada e estarei na quinta certamente lá! DIANA MINHA RAINHA!!!!!!

    1. Amanda Esteves Amanda Esteves

      Oi, Lois! Que incrível, estamos torcendo para a sua experiência ser tão boa quanto o filme. <3

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