Liga da Justiça: O início de uma nova era

Os maiores heróis da Terra chegam aos cinemas nesta semana reunidos, pela primeira vez, em busca não somente de tentar salvar o mundo das garras de ameaças de outros planetas, mas, também, dar o brilho que faltava na caminhada do universo cinematográfico da Warner/DC até aqui.

‘Homem de Aço’ (2013) foi o responsável por dar início a uma trajetória de altos e baixos – para os personagens e, principalmente, fãs e críticos que criaram sua batalha pessoal ao longo destes anos. Mas a boa notícia é: para quem achou que ‘Batman vs. Superman’ (2016) e ‘Esquadrão Suicida’ (2016) foram a gota d’água, Liga da Justiça acontece em boa hora para reanimar até mesmo aqueles que já tinham confiança no universo cinematográfico mesmo com todas as turbulências, seguindo os passos mais esperançosos que Mulher-Maravilha já tinha nos apresentado em junho.

Liga da Justiça está longe de ser um filme perfeito. Quem gostou do tom de Batman vs. Superman pode sentir bastante dificuldade em se acostumar com o tom deste que é, de longe, o filme mais esperançoso feito com os queridos personagens da DC Comics. E mesmo não sendo perfeito, é justamente pelo tom mais leve, com uma história que se nega a ser prolongada e complexa demais que o filme se torna divertido, aventuresco e é capaz de aquecer até o mais duro coração de quem cresceu assistindo ao desenho animado de Liga da Justiça e acompanha gibis durante toda a vida, e estava receoso com o futuro de seus personagens favoritos nos cinemas.

“EVERYBODY KNOWS”

Logo no início do filme, nos deparamos com uma cena de Superman (Henry Cavill) em um vídeo amador feito por crianças curiosas a respeito do que significa o ‘S’ em seu uniforme. As cores são vivas, o personagem sorri e a esperança vai além de sua fala: é o Superman que tantos pediram ao longo destes anos. Em seguida, a ótima “Everybody Knows”, de Leonard Cohen (aqui pela voz da cantora Sigrid), dita o tom carregado de um mundo sem esperança e em conflitos após a morte do Superman. “Everybody knows the good guys lost” (Todos sabem que os bons rapazes perderam).

No final de Batman vs. Superman, Bruce Wayne (Ben Affleck) comenta com Diana (Gal Gadot), no enterro de Superman, que havia falhado com ele em vida, mas não falharia na morte. Assim, ao se deparar com a ameaça alienígena que Lex Luthor (Jesse Eisenberg) já havia lhe alertado no filme passado e também apareceu em um de seus pesadelos, Batman é o responsável por ir atrás dos outros metahumanos para formar uma equipe e salvar o mundo.

Ben Affleck como Batman (Créditos: Reprodução/Warner Bros. Pictures)

Ao lado de Mulher-Maravilha, que continua sendo um dos maiores pontos altos do universo cinematográfico da Warner/DC, os personagens se mostram mais objetivos e não necessitam de muitas explicações para fazer o que fazem: eles apenas fazem (diferentemente de BvS que apostou em longos diálogos e explicações sobre motivações de cada um).

Gal Gadot como Mulher-Maravilha (Créditos: Reprodução/Warner Bros. Pictures)

Aquaman (Jason Momoa) é o bad boy “que fala com os peixes” e, a priori, se recusa a fazer parte da equipe. Jason atribui ao personagem características mais fortes e é uma grata surpresa no filme, mas não abre muito espaço para mostrar o personagem por completo, o que, provavelmente, é algo proposital já que teremos um filme solo do personagem em dezembro de 2018.

Jason Momoa como Aquaman (Créditos: Reprodução/Warner Bros. Pictures)

Ciborgue (Ray Fisher), por outro lado, é um dos personagens mais intrigantes. Victor Stone sofreu um acidente quando jogava futebol americano e seu pai foi o responsável por trazê-lo a vida novamente, mas isso trouxe consequências que faz com que Victor se afaste de todos, deixando que acreditem que na realidade ele está morto. Por ter revivido graças aos poderes de uma das caixas maternas presentes na trama – a caixa que ficou com os humanos –, o personagem é bem utilizado e, mesmo também relutante em se juntar à equipe, quando acontece, é gratificante ver o quanto o mesmo se adequa naturalmente aos demais.

Ray Fisher como Ciborgue (Créditos: Reprodução/Warner Bros. Pictures)

Uma das melhores surpresas fica por conta do Flash de Ezra Miller. E o desafio de adaptar o personagem para o cinema era grande, tendo em vista que vai ao ar pelo canal americano CW a série The Flash, desde 2014. Mas Ezra não desaponta e tudo o que o envolve pode ser caracterizado como pontos altos: desde os efeitos especiais incríveis até a sua personalidade mais descontraída. E aqui também vemos o personagem bem inexperiente: ele sequer trabalha como detetive forense ainda e nunca esteve em uma batalha grande. Diferente da série e em boa parte diferente de suas histórias em quadrinhos, lhe é atribuído um alívio cômico que funciona bem no filme, mas também peca com piadas demais.

Ezra Miller como The Flash (Créditos: Reprodução/Warner Bros. Pictures)

Apesar de terem apresentações rápidas e objetivas, quando os personagens se reúnem não há como negar que eles funcionam em equipe e precisam uns dos outros para salvar o mundo. Mas ainda assim, eles e o mundo precisam do Superman.

VOCÊ NÃO PODE SALVAR O MUNDO SOZINHO

A grande ameaça do filme é o Lobo da Espete (Ciarán Hinds). No filme são retratadas batalhas antigas entre as amazonas e o Lobo (com certos personagens de uma certa tropa também no meio da batalha), dando gancho a nova invasão do mesmo e de seus parademônios. O Lobo, infelizmente, não é um vilão à altura da Liga. Ele é apenas um capacho de Darkseid e as suas tentativas em dominar a terra são clichês, ou seja: nada que já não tenhamos visto em outros filmes de heróis com vilões querendo dominar a terra.

Ciarán Hinds deu voz ao vilão Lobo da Estepe (Créditos: Reprodução/Warner Bros. Pictures)

Porém, a bagunça que ele faz é o suficiente para a Liga, enfim, perceber que sozinhos eles não conseguiriam derrotar a ameaça. Eles precisam do Superman. E a sua volta é o ápice do filme. Goste você ou não da forma com que Superman retorna à vida, você com certeza irá gostar de ver o quanto ele faz falta e, aqui, eles finalmente acertam em sua adaptação. Esqueça o Superman sombrio, desconfiado, que chegou a acreditar que ninguém permanecia bom neste mundo. Ele é o grande responsável por restaurar a esperança na humanidade: e é isso o que ele faz de melhor. Até mesmo suas cenas com Lois Lane (Amy Adams) e Martha (Diana Lane) mostram o quanto o personagem está mais confortável na pele do maior super-herói do mundo, e o quanto Henry Cavill se adéqua bem não somente ao papel de Superman, mas também como Clark Kent.

Henry Cavill como Superman (Créditos: Warner Bros. Pictures)

Apesar de todos os transtornos na pós-produção do filme, quando o diretor Zack Snyder abandonou o mesmo por motivos pessoais e deixou em seu lugar Joss Whedon (Vingadores), é possível dizer que ainda é um filme de Zack Snyder mas com toques de Whedon. E a mescla resultou em um filme seguro, pesaroso quando precisou ser, mas ainda mais esperançoso quando foi necessário. O enredo é simples, assim como a trilha sonora de Danny Elfman que não impacta tanto quanto a de Hans Zimmer, as batalhas funcionam, os momentos leves funcionam mais ainda. São deixadas pontas soltas suficientes para uma sequência que deixa acesa a esperança de um próximo filme com uma Liga completa – sim, mais completa ainda! Mesmo com pouco tempo (o filme tem apenas 2 horas de duração), o que deixa uma impressão de que tudo acontece muito rápido, e um vilão que logo será esquecido, o filme entrega o que se propôs a entregar.

É uma nova era para os heróis da DC Comics nos cinemas. A era dos heróis que estamos esperando há muito tempo para ver. E, enfim, podemos ter a certeza de que dias melhoras virão.

Atenção: Há duas cenas pós-créditos. A segunda, inclusive, é uma das melhores cenas do filme! Vale a pena a espera.

Nota: 4/5

FICHA TÉCNICA

Liga da Justiça (Justice League), 2017

Estreia: 15 de novembro

Duração: 120 minutos

Direção: Zack Snyder

Roteiro: Chris Terrio, Joss Whedon

Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot, Ezra Miller, Ray Fisher, Jason Momoa, Amy Adams, J.K. Simmons, Jeremy Irons, Diana Lane

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