Precisamos falar sobre Six Feet Under

Qual é a melhor série já produzida e por que é Six Feet Under?

Six Feet Under (ou A Sete Palmos, título em português) é uma série de drama e comédia produzida pela HBO entre os anos de 2001 e 2005 com cinco temporadas. Todas incríveis! Para mim, é uma verdadeira obra-prima da TV que TODOS deveriam assistir.

Nenhuma série mexeu TANTO comigo quanto Six Feet Under. Eu explico: existem muitas séries boas, é claro; daquelas que você não consegue parar de assistir. Posso citar, por exemplo, How To Get Away With Murder, Sense8 ou True Detective (isso só para citar três das séries que eu assisti recentemente), mas nenhuma delas foi capaz de mudar, de maneira tão profunda, a minha percepção sobre várias coisas na vida.

Six Feet Under mostra um drama convencional de família, mas, acima de tudo, fala sobre a morte. Não a morte como algo ruim, triste e “ponto final”, mas sim a maneira como você lida com ela (ou vai ter que lidar em algum momento), sabendo que essa é a única certeza na vida.

Six Feet Under 5

A série gira em torno da família Fisher que é dona de uma tradicional funerária, a Fischer & Sons. A trama começa com a família reunida após a morte do pai, Nathaniel Fisher (Richard Jenkins), que ocorre logo na primeira cena da temporada. Após o luto e a tristeza, começam as mudanças causadas após o chefe da família morrer. Nate Fisher Jr. (Peter Krause), o filho mais velho que vive em outra cidade há anos e é um pouco distante da família, é surpreendido com a notícia de que herdou metade da fortuna do pai e, contra a sua vontade, decide ficar na casa da família até que as coisas de ajeitem.

A outra metade do negócio ficou com o seu irmão David Fisher (Michael C. Hall), o filho do meio, que dedicou toda a sua vida em ajudar o pai com a funerária. David começa a série como um gay reprimido que esconde seu namoro com o policial Keith Charles (Mathew St. Patrick); com o desenvolvimento da trama, David precisa assumir quem ele realmente é, antes que isso torne sua vida uma eterna mentira (algo que não é tão fácil devido a valores religiosos que sempre fizeram parte da sua vida).

Aliás, Six Feet Under é uma série muito a frente de seu tempo, não apenas por abordar temas como homossexualidade e religião, mas também por outros pontos como traição, uso de drogas, aborto e incesto – que, de maneira alguma, soa como algo forçado. Pelo contrário: tudo é muito bem desenvolvido e te leva a reflexões, ao invés de julgamentos. É justamente o que eu mencionei alguns parágrafos acima.

Claire Fisher (Lauren Ambrose), a filha mais nova, é uma espécie de rebelde sem causa que tem muito daquilo do que eu quis dizer com o fato da série ser a frente de seu tempo. Claire é o tipo de garota que, apesar de ainda ser jovem, faz o que quer sem se preocupar com o julgamento de terceiros. Já a mãe da família, Ruth Fisher (Frances Conroy), é uma das personagens mais interessantes que eu já vi. Casada com Nataniel desde que engravidou de Nate, Ruth nunca foi, de fato, feliz. Após a morte do marido, ela se dá conta do tempo que perdeu em sua vida tentando agradar os outros, sem nunca pensar nela mesma. Posso relevar aqui, sem dar nenhum spoiler, que Ruth, em seus 55 anos de idade, passa a se envolver em um triângulo amoroso e em um “relacionamento puramente sexual”, e isso é incrivelmente legal!

Além da família Fisher (e de Keith), a série também aborda as vidas de Federico Diaz (Freddy Rodriguez), o único empregado da funerária, e Brenda Chenowith (Rachel Griffiths), a problemática namorada de Nate, além do fantasma do pai que está sempre presente, dando conselhos a seus filhos por meio de visões e sonhos.

Six Feet Under 4

Six Feet Under foi uma série que me conquistou logo de cara. Eu não tenho como indicá-la para alguém sem usar frases do tipo: “assista, é a melhor série do mundo”. Eu comecei a assistir a série por causa do ator Michael C. Hall (que interpreta o personagem Dexter Morgan, na série Dexter) e acabei me apaixonando por todos os personagens. Além disso, a série tem a melhor season finale de todos os tempos. Eu lia isso de muitas pessoas e realmente é verdade. Lembro que, na última cena, eu chorei os últimos cinco minutos inteiros. Detalhe: eu nunca chorei com uma série antes.

A primeira cena de todos os episódios mostra uma morte (seja por causas naturais, acidente, homicídio, entre outros) e, consequentemente, a família do falecido torna-se cliente da Fischer & Sons. Os desdobramentos dos episódios mostram como a família em questão lida com a morte de um parente querido (e acredite: as reações são das mais diversas). Tudo isso é muito sutil, especialmente na primeira temporada.

Nós nunca sabemos como reagir quando perdemos alguém querido. Tudo é muito pessoal e não existe um manual de comportamento para essas situações. Também é extremamente tocante acompanhar o luto das pessoas, assistindo a tudo como alguém “de fora”, mas ao mesmo tempo, tão “de dentro” – porque essa é a sensação que a série transmite: você se sente um membro da família Fischer ao acompanhar os dramas, desejos, tristezas e felicidades dos personagens principais.

Eu também destaco as partes de comédia. Diversas vezes eu precisei pausar o episódio de tanto que eu dava risada de determinadas cenas. Eu tenho uma singela impressão de que, quando o assunto ficava um pouco pesado, a série incluía uma pitada de humor para amenizar o clima. E as piadas eram geniais!

Como citei acima, existe o recurso do diálogo entre os vivos e os mortos, que é frequente na série, trazendo uma proximidade muito grande entre os dois lados. Outro recurso interessante (que eu sempre caía nele) é uma conversa entre dois personagens, imaginada por apenas um deles. A conversa ocorre naturalmente até que o diálogo torna-se absurdo – momento em que a cena é cortada e levada de volta à parte onde a conversa deixou de ser real.

Six Feet Under 6

Six Feet Under é simplesmente genial, tocante e apaixonante, e essa é minha indicação/contribuição pessoal para quem curte séries de drama e comédia. Vale muito a pena dedicar um tempo para assisti-la e deixar que ela mude sua vida, assim como aconteceu comigo!

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Eduardo Silva
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Jornalista. Gosto de raposas, Nutella e boas playlists no Spotify!

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